Ensaio sobre a Mudança

Tornou-se um cliché dizer que as pessoas não mudam.

Na minha opinião o cliché não surge do nada, resulta da constatação empírica e vivencial de todos nós de que os traços de personalidade de alguém, uma vez adquiridos e sedimentados, na circunstância e ambiente externos, persistem ao longo da vida e se manifestam na maioria das atitudes e comportamentos.
 
Contudo não creio que sejamos, necessária e eternamente, escravos dessa combinação de genes e ambiente. A psicoterapia, nomeadamente a cognitivo-comportamental, baseia-se aliás nesse mesmo princípio, de que o conhecimento e auto-análise orientada podem desmontar as atitudes desadequadas e os pressupostos cognitivos que as antecedem, levando à mudança real de comportamentos.

Ocorre-me fazer uma comparação com as técnicas de fisioterapia - a reabilitação física em nada altera a anatomia mas faz melhorar muito a capacidade funcional. Da mesma forma, na minha perspectiva, embora as fundações da personalidade sejam definidas em idade precoce, é possível modulá-las de forma contundente, levando à mudança real.
 
Atrevo-me a postular que a mudança, embora francamente possível  é, claro, um processo difícil já que necessita que várias condições se verifiquem simultaneamente: 1. reconhecimento pelo próprio de que determinado tipo de comportamento é desadequado e causa sofrimento a si e/ou aos outros;
2. vontade de mudar;
3. convicção de que a mudança é possível;
4. recursos internos e externos que permitam a mudança.

Ou seja: as pessoas não mudam só porque alguém deseja que elas mudem e não mudam se não entenderem que o seu comportamento constitui um problema.

Mas, sim, as pessoas têm em si a capacidade potencial de mudar.

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